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  • Henrique Junior

As aves e a humanidade - Uma breve história do fascínio pelos pássaros.

A observação de aves remete a tempos tão distantes que sua história quase se confunde com a história da humanidade. Desde as primeiras civilizações, as aves exercem grande fascínio nos homens, despertando-lhes a curiosidade e instigando o seu imaginário. Seja qual for a cultura, as aves estão sempre presentes em sua origem e história.

Representação de Falcão no Templo de Hórus - Egito
Representação de Falcão no Templo de Hórus - Egito © Pixabay

No antigo Egito, grande parte das aves não era apenas tida como sagrada, mas algumas eram vistas como a própria encarnação de determinadas divindades. Dentre as muitas aves sagradas, estavam o íbis e o falcão, representações de Tot e Hórus, respectivamente. Tamanho era o apreço por esses animais que qualquer um que matasse um íbis ou falcão, quer intencionalmente, quer não, era prontamente executado.


No hinduísmo, o pavão é frquentemente associado com a deusa Saraswati, das artes e do conhecimento, e com Kartikeya, a divindade da guerra. Além de ser constantemente representado em Krishna (avatar do deus Vishnu), que utiliza uma faixa na cabeça com penas dessa ave.


Na mitologia grega, as harpias eram temidas criaturas híbridas de aves de rapina com rosto de mulher e seios. E quem nunca ouviu falar da fênix, uma representação de ave que, após sua morte, que se dava por combustão, ressurgia das próprias cinzas como uma poderosa ave de fogo?


Até mesmo no monoteísmo cristão, as aves estão presentes em diversos momentos da história narrada. Ao fim do dilúvio, sem janela que permitisse uma plena visão do nível da água, Noé solta duas aves para ver se elas encontrariam local de pouso ou voltariam a ele. Ao ser batizado, Jesus Cristo recebe uma manifestação do Espírito Santo que assume a forma corpórea de uma pomba. Ao fim das três negações de Pedro a Jesus, o galo canta.


Se fôssemos nos aprofundar nos exemplos, por certo poderíamos listar durante horas culturas onde as aves são admiradas ou veneradas.


Milhares de anos se passaram, mas isso não foi suficiente para diminuir o apreço humano pelas aves. Afinal, o que dizer de seres que dominam o fascinante dom de ‘tocar os céus’ com suas próprias asas? Além do voo, as aves nos encantam por suas cores, cantos e hábitos, e é exatamente por esse fascínio que milhões de pessoas ao redor do mundo deixam suas casas diariamente para ver de perto esses incríveis seres alados.


A observação de aves como a conhecemos hoje remonta ao século XIX, com as primeiras iniciativas voltadas à observação de aves vivas. Nesse contexto destaca-se a Audubon Society criada especialmente para proteger as aves do comércio de penas nos Estados Unidos. Em 1900, o membro da Audubon lançou o primeiro “Christmas Bird Count”, ou censo de aves de Natal, um evento alternativo onde os participantes deveriam contar, ao invés de matar, o maior número de pássaros.


Desde então, cada vez mais pessoas têm se convertido à prática da observação de aves em vida livre. Munidos de binóculos, lunetas ou câmeras, esses apaixonados saem para seus jardins, praças e parques, ou até mesmo fazem viagens que podem durar vários dias com o único objetivo de observar aves.


Se se interessou pela ideia de conhecer melhor essas incríveis criaturas, seja muito bem vindo à Revista Uru, confira nosso conteúdo já publicado e fique atento aos próximos posts onde abordaremos mais sobre o fascinante mundo da observação de aves.

Observador de aves com binóculos - © Pixabay
Observador de aves com binóculos - © Pixabay

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