Diferenciação

#3 Quer que eu desenhe? – Como diferenciar Synallaxis

Synallaxis spixi synallaxis frontalis

Pequenos, furtivos e sorrateiros, eles se embrenham como camundongos, sumindo aqui e fazendo-se ouvir alguns metros à frente, com sua voz característica e constante. As aves do gênero Synallaxis não só são difíceis de fotografar, mas também de identificar. As diferenças entre elas costumam ser sutis, mas perceptíveis.

Falaremos aqui das quatro espécies encontradas no Sudeste brasileiro e que geram muita dúvida entre os observadores inexperientes e em alguns casos, até mesmo, nos mais experientes, no caso de espécies em que as diferenças são mais sutis.

Tomando como referência uma das características mais marcantes – coloração do píleo e fronte – podemos formar dois pares de espécies. Um deles, formado por pichororé (Synallaxis ruficapilla) e joão-teneném (S. spixii), apresenta essa região uniformemente ferrugínea. No outro par, formado por petrim (S. frontalis) e uí-pi (S. albescens), a fronte se distingue do píleo por apresentar uma nódoa acinzentada, da coloração do restante do corpo. Sendo assim, o ferrugíneo do píleo não chega até o bico.

 

Petrim vs. uí-pi

Apresentam coloração geral do corpo castanho-acinzentada, sendo que em albescens os tons tendem mais para o castanho claro, lhe conferindo uma plumagem mais pálida. Essa é uma característica que distingue a espécie das quatro outras e que inspirou o nome científico (albescens = esbranquiçado).

No petrim, a cauda é ferrugínea, da cor do píleo e das asas. O uí-pi tem a coloração da cauda mais esmaecida, às vezes acastanhada como o restante do corpo.Vale lembrar que existem variações individuais, e o uí-pi pode mesmo apresentar as rêmiges acastanhadas em vez de ferrugíneas como as escapulares. Essa característica não é comumente observada no petrim.

Outro aspecto que caracteriza bem o uí-pi como “albescens” é a coloração das pernas, que é geralmente mais clara do que nas outras três espécies. As diferenças entre os integrantes desse par são sutis, mas com um olhar bem acurado, é possível identificar as aves sem grandes problemas.

Synallaxis_frontalis Petrim - Synallaxis albescens Ui-pi

 

Pichororé vs. joão-teneném

Nesse par de espécies a diferenciação é bem mais simples. O joão-teneném é o mais cinzento das quatro espécies abordadas, enquanto que o pichororé é o mais acastanhado. E essa característica acastanhada do pichororé lhe confere um contraste entre a região do pescoço, face e peito – que é acinzentada – e o restante do corpo do animal.

O joão-teneném tende tanto ao cinza que mesmo as rêmiges, à diferença das outras espécies, costumam ter tons mais acinzentados, contrastando com as escapulares ferrugíneas. Também a cauda tende para o cinza ou tons acastanhados em joão-teneném, enquanto que o ferrugíneo prevalece no pichororé, uniformizando a coloração da cauda com asas e píleo.

O chapéu avermelhado (ruficapilla = cabelo vermelho) do pichororé costuma se estender até mais abaixo, chegando à altura dos olhos, sendo frequentemente delimitado por uma linha supraciliar amarela, característica marcante e única entre as quatro espécies em questão. Somado à maior extensão do branco na garganta e ao cinza geralmente mais escuro na região transocular, o pichororé apresenta uma aparência mascarada.

Por último, a nódoa escura que orna a região esbranquiçada da garganta das quatro espécies, e que é extremamente variável quanto à extensão e ao contraste, é geralmente mais esmaecida no pichororé; por vezes mesmo inexistente. Apesar da variação individual presente em todas as espécies, a observância dessas características pode tornar perfeitamente possível a diferenciação dessas quatro espécies. Basta estar ciente das diferenças para se fazer uma identificação precisa.

Synallaxis ruficapilla - Pichororé e Synallaxis spixi João-teneném

Gostou do artigo? Compartilhe com seus amigos nas redes sociais, e claro comente abaixo sugerindo as próximas espécies da série “Quer que eu desenhe?”.

Comentários

Comentários

Article written by:

Arquiteto e Urbanista, Ilustrador, e há 4 anos observador de aves. Também apaixonado por artes, juntou na ilustração ornitológica suas duas grandes paixões, o desenho e as aves. Além das periódicas saídas para observação de aves, utiliza também da internet como meio de troca de experiências e aprendizado sobre as aves, administra atualmente diversos grupos como o Faceaves, Identificação Ornitológica e Anjos Alados. Também é representante do COA Aves do Vale do Aço e membro da Ecoavis. Como ilustrador já participou de feiras e exposições em sua região e teve seu trabalho em destaque na revista Atualidades Ornitológicas 190.