Quer que eu desenhe?

#4 Quer que eu desenhe? – Como diferenciar Juritis (Leptotila sp.)

Como diferenciar juritis leptotila verreauxi e rufaxilla

Considera-se que a melhor forma de se diferenciar entre Leptotila verreauxi e Leptotila rufaxilla seja através da vocalização. Aliás, essa é, na maioria das vezes em campo, a única forma viável, visto que os bichos são mais ouvidos do que vistos. Ambas vocalizam sequências de sopros graves e melancólicos que podem parecer muito semelhantes se não se atentar para uma importante característica: o espaçamento das notas é bem constante e difere entre as duas espécies. O canto de L. verreauxi apresenta notas com espaçamento acima de 6,5 segundos, geralmente próximo de oito. Já o intervalo entre notas do canto da L. rufaxilla é bem menor, ficando entre 3,5 e cinco segundos. Existem variações regionais, individuais e ocasionais no andamento do canto das aves. O canto de L. verreauxi pode ainda apresentar duas notas, enquanto que a L. rufaxilla sempre emite notas simples e às vezes um pouco moduladas.

Mas, o que fazer se o animal é visto e não ouvido? Existem várias características visuais que podem ajudar a distinguir uma espécie da outra; algumas delas, bem confiáveis; outras, nem tanto. A coloração geral das aves pode apresentar variação tanto individual quanto geográfica, mas geralmente é possível perceber as características típicas de cada espécie. Vamos começar a conhecê-las a partir de agora.

  • Coloração geral que varia de acinzentado a oliváceo passando por tons pardos em verreauxi, contrastando com tons róseos de L. rufaxilla, sendo a coloração em ambas as espécies bem mais puxada nas asas.
  • Brilho nas penas da parte posterior do pescoço, se estendendo por vezes ao dorso, verde azulado em verreauxi e púrpura/violáceo em L. rufaxilla. Essa é uma característica extremamente confiável.
  • Presença de uma área acinzentada bastante conspícua e geralmente bem delimitada na fronte de rufaxilla, o que a difere claramente de L. verreauxi que, apesar de poder apresentar tons claros nessa região, nunca os mostra tão notáveis.
  • A coloração da íris pode nos dar pistas, porém é um assunto extremamente delicado. Ambas as espécies apresentam íris castanho escuro quando filhotes, sendo que essa cor muda para laranja ou oliva com o passar do tempo. Indivíduos adultos de verreauxi vão apresentar íris quase invariavelmente laranja. Raramente encontra-se um indivíduo da espécie com a coloração da íris puxada para o oliváceo. Já em L. rufaxilla, não existe um padrão. Apesar de íris oliváceas serem mais comuns, não são raros indivíduos com íris laranja.
  • Em rufaxilla está sempre presente uma pele nua roseada em volta dos olhos que se liga à comissura do bico. A presença dessa característica e a sua coloração em L. verreauxi depende da região geográfica. Em indivíduos provenientes da maior parte do Brasil, essa pele nua é bem limitada e apresenta coloração de rosácea a arroxeada.
Leptotillas-rufaxilla-verreauxi-diferencas

Ilustrações por Frederico Blanco/ Revista Uru

Particularidades de L. verreauxi: Algumas populações dessa espécie apresentam características bem peculiares, sobretudo aquelas de Roraima, que ostentam indivíduos de coloração geral bem mais esbranquiçada e rosada, com nuca de tons róseos mais pronunciados. A pele nua circundando os olhos é de um azul claro veraz. Essas características as tornam bem distintas das outras populações. Indivíduos de estados como Amapá, norte do Maranhão e Ceará podem apresentar uma coloração intermediária e pele nua perioftálmica mais abrangentes do que indivíduos do restante do Brasil.

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Biólogo, mestre em Zoologia pela Universidade Federal de Minas Gerais, tem por hobby a observação de aves, a produção literária, o estudo da linguística e o aprendizado de línguas, com foco em inglês, espanhol e tupi antigo. Já publicou artigos na revista Atualidades Ornitológicas e no E-bird Brasil. Trabalha com monitoramento de aves em ambiente aeroportuário.